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Paciente vira personagem de poesia

Paciente vira personagem de poesia


Poesia “Choro que ri”, da médica da Clinipam Mariana Cozer Siviero, é campeã de Concurso Literário durante Congresso de Medicina 

Que a vida real é matéria-prima para a literatura não é novidade para ninguém. Muitos artistas costumam aproveitar elementos do seu dia a dia para inspirar seu trabalho e suas criações. O cotidiano de Dona Sueli, que acompanhava em consultas, virou tema de uma poesia premiada no Concurso de Artes Literárias, que fez parte da programação do 15° Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade. A autora da poesia é Mariana Cozer Siviero, médica de família e comunidade, da Clinipam.  

Amante das letras, Mariana se apropriou das palavras para mostrar seu olhar sobre a rotina de Dona Sueli na obra intitulada “Choro que ri”. Foi quando fazia o segundo ano de residência que a médica conheceu a senhora, em consultas na Unidade de Saúde. E graças à proximidade com os pacientes, que é um dos diferenciais do atendimento prestado pelos médicos de referência, que Mariana conseguiu perceber um pouco do que se passava na intimidade de Dona Sueli.

“Minhas palavras registram a percepção diante de uma paciente complexa. Nesta poesia, tento enxergar a vida sob a ótica da paciente. Buscamos a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Já dizia Hipócrates, que é mais importante conhecer a pessoa que tem a doença do que a doença que a pessoa tem”, conta.

Mariana escreve desde os dez anos e já teve outro texto publicado pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) em 2018. O pai foi sua grande inspiração para seguir o caminho das artes literárias. “Ele sempre foi muito bom com as palavras”, comenta. A trajetória bem sucedida de Mariana na poesia comprova o que diz o ditado popular: “filho de peixe, peixinho é”.


Confira a poesia premiada no Concurso de Artes Literárias:

CHORO QUE RI

Dona Sueli

Que chora

Que ri

Que não sabe o que tem, ou o que tinha

Porém

Acredita, não dúvida, da cura Santa

Da loucura da cabeça

Curada, ainda que cause desavença

Sorri

E dona Sueli se esconde

Embaixo do pano, no canto, na fonte

Na pia, no tanque

No sofá e na estante

Com a limpeza desenfreada

Esquizofrenia? Que nada

Multipolarizada

Na mania do sorriso que diz ser brava

Que até olha com cara fechada

Mas no espelho, só enxerga a alma lavada.



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