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Automedicação pode ter consequências graves

Automedicação pode ter consequências graves

Estatísticas da OMS demonstram que 50% dos pacientes tomam medicamentos de maneira errada; remédios sem prescrição médica são contraindicados para Coronavírus

Atire a primeira pedra quem nunca tomou um remédio sem prescrição após uma dor de cabeça, febre ou outro desconforto. Ou quem não pediu opinião para um familiar ou amigo sobre qual medicamento ingerir em determinadas ocasiões.

Vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, sem precisar recorrer à ajuda médica, a automedicação – por vezes considerada inofensiva – pode trazer consequências mais graves do que se imagina.

Os dados sobre a automedicação são preocupantes. Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 50% de todos os medicamentos consumidos no planeta são dispensáveis ou são vendidos de forma inadequada. Além disso, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma incorreta.
Os efeitos colaterais da automedicação vão desde reações alérgicas, passando pela dependência e até a morte. Quando o medicamento em questão é um antibiótico, por exemplo, que só pode ser vendido nas farmácias com retenção da receita médica, o consumo inadequado pode mascarar sintomas e a doença pode evoluir e se tornar grave. Isso ocorre porque o uso abusivo e indeterminado de antibióticos aumenta a resistência de microrganismos, comprometendo a eficácia nos tratamentos de algumas infecções.

Outra preocupação dos médicos diz respeito à combinação inadequada de dois remédios. Neste caso, o uso de um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro.

Automedicação em tempos de Covid-19

Nesse momento da nossa história, em que grande parte da população teme pelo Coronavírus, o uso de medicações sem a supervisão médica não é recomendado. ‘Na boca do povo’, a Covid-19 fez crescer o consumo de fake news nas redes sociais.

No entanto, Gustavo Junca da Silva, médico que faz parte do quadro do Hospital Ônix, que atende exclusivamente beneficiários da Clinipam GNDI, alerta: “há hoje uma comoção enorme e justificada dos pacientes para o uso de medicamentos a fim de combater a doença. Medo, desinformação e fake news são ingredientes perigosos em meio a pandemia. A grande maioria das medicações amplamente divulgadas e usadas pela população em geral não possuem nenhuma comprovação de benefício e sim comprovação de possíveis malefícios”, afirma Gustavo da Silva.

Ele acrescenta que alguns medicamentos trazem efeitos colaterais e podem causar intoxicação, mesmo em caso de pacientes que testaram positivo para a Covid-19. São eles: 

- Hidroxicloroquina/Reuquinol/Cloroquina: podem induzir arritmias;
- Ivermectina e Annita: podem gerar náuseas, vômitos e diarreia;
- Vitamina D em excesso: pode provocar insuficiência renal;
- Zinco: pode provocar convulsões;
- Azitromicina: pode induzir resistência de bactérias aos antibióticos.

Quase um ano após à chegada do Coronavírus, que está sendo amplamente estudado pela ciência, o que se pode dizer é que apenas os corticoides (dexametasona, prednisona, prednisolona, por exemplo) têm benefício comprovado nos casos moderados e graves – ou seja: aqueles que apresentam falta de ar. Para saber mais, acesse o conteúdo sobre oximetria aqui no nosso site.

“Mesmo os corticoides podem apresentar efeitos colaterais indesejáveis e graves nos pacientes e vivenciamos essas situações nos hospitais. As consequências mais comuns são: úlcera gástrica, diabetes, infecções bacterianas e por fungos e osteoporose. Enfatizamos que a correta avaliação médica de cada caso em conjunto com o paciente é de suma importância para o melhor desfecho do quadro. Correr sozinho riscos acima descritos por conta da automedicação é muito perigoso para a saúde da população”, orienta Gustavo da Silva.

Coronavírus: imprecisão no diagnóstico e automedicação

Os sintomas da Covid-19 são inespecíficos e variam muito em cada paciente. O diagnóstico se confunde com outras doenças como: resfriados, gastroenterites, enxaqueca, fadiga, entre outros. “Por esse motivo, a automedicação com remédios sintomáticos, aqueles direcionados aos sintomas apresentados pelo paciente, pode muitas vezes confundi-lo, mascarar os sintomas e levar ao diagnóstico tardio. Nesse cenário a possibilidade de maior transmissão é evidente, visto a falta da percepção do paciente e a consequente não realização do isolamento domiciliar. Além disso, o diagnóstico tardio da doença pode levar a um possível agravamento do quadro e internamento hospitalar”, explica Gustavo da Silva. 

Conforme o médico, a grande maioria dos casos são casos leves e com quadro clínico autolimitado, ou seja, o nosso próprio sistema imunológico resolve a infecção viral sem maiores complicações. “Nessa situação, medicações sintomáticas, como paracetamol e dipirona, após a avaliação médica, podem ser ingeridas para alívio dos sintomas. Quadros moderados e graves são menos frequentes e nessa situação a consulta médica é fundamental para a segurança do paciente e, também, para a correta prescrição de medicamentos sob supervisão e acompanhamento”, informa o especialista. 

Os anti-inflamatórios (nimesulida, diclofenaco, ibuprofeno, entre outros) são medicamentos, também sintomáticos, amplamente usados pela população sem receita médica. Entretanto, são contraindicados no tratamento da Covid-19. Alguns estudos sugerem uma possível piora do quadro, além dos efeitos colaterais comuns como gastrite, úlcera gástrica, sangramentos, insuficiência renal, entre outros.


Publicado em: 21/01/2021 Veja mais notícias